Há crianças que, quando estão cansadas, ansiosas, concentradas ou sobrecarregadas, procuram naturalmente colocar coisas na boca. Mordem a manga da camisola, os lápis, os brinquedos, os dedos ou até o próprio cabelo. Para algumas crianças, mastigar parece ajudá-las a organizar-se e a manter-se envolvidas numa atividade.
Mas porquê?
A boca é uma das zonas do corpo com maior quantidade de informação sensorial. A mastigação envolve movimento, pressão e resistência e proporciona informação ao sistema nervoso. Por isso, para algumas crianças, a estimulação oral pode funcionar como uma estratégia de apoio à regulação.
É neste contexto que os mordedores e brinquedos de estimulação oral podem ter um papel importante — não como uma solução universal, mas como uma ferramenta que, quando bem escolhida e utilizada, pode responder a uma necessidade sensorial específica.
O que é a estimulação oral?
A estimulação oral refere-se à informação sensorial recebida através da boca e das estruturas orais, incluindo os lábios, língua, bochechas, mandíbula e estruturas relacionadas.
Comer, beber, mastigar, soprar e explorar objetos com a boca são experiências que fornecem diferentes tipos de informação sensorial.
A mastigação, em particular, envolve trabalho dos músculos da mandíbula e proporciona uma combinação de informação tátil e propriocetiva.
Alguns serviços de Terapia Ocupacional pediátrica recomendam, perante comportamentos de mastigação ou procura oral, proporcionar oportunidades adequadas de estimulação oral, incluindo brinquedos próprios para mastigar, sempre tendo em consideração as necessidades e a segurança da criança.
Porque é que algumas crianças procuram mastigar?
A procura oral pode ter diferentes significados.
Uma criança pode procurar mastigar porque:
- gosta da sensação;
- procura mais informação sensorial;
- precisa de aumentar o seu nível de alerta;
- procura uma atividade repetitiva e previsível;
- utiliza a mastigação como forma de se organizar durante uma tarefa;
- está ansiosa ou sobrecarregada;
- está aborrecida ou precisa de algo para fazer;
- está numa fase de exploração oral do desenvolvimento.
Por isso, é importante não assumir automaticamente que “a criança mastiga porque precisa de se acalmar”.
O comportamento deve ser observado no contexto.
Quando acontece? O que aconteceu antes? O que acontece depois? Em que situações procura mais mastigar? Que tipo de objetos procura?
Estas informações ajudam a perceber qual poderá ser a função daquele comportamento.
Mastigar pode ajudar na autorregulação?
Sim, para algumas crianças.
A mastigação é uma atividade rítmica e repetitiva que envolve músculos e articulações da mandíbula. Esta combinação de movimento e resistência proporciona informação propriocetiva, que pode ser relevante para a forma como algumas crianças organizam o seu comportamento e nível de alerta.
A mastigação pode ser uma possível forma de procurar maior feedback sensorial, incluindo informação propriocetiva, e é importante oferecer alternativas apropriadas quando a criança mastiga objetos inadequados.
O que são os mordedores sensoriais?

Os mordedores sensoriais são objetos concebidos especificamente para serem mastigados. Ao contrário de um brinquedo comum, são desenvolvidos tendo em consideração aspetos como:
- resistência;
- textura;
- formato;
- tamanho;
- facilidade de preensão;
- possibilidade de utilização de forma segura.
Existem modelos muito diferentes, desde opções mais suaves para crianças que procuram uma estimulação ligeira até opções mais resistentes para crianças que apresentam uma necessidade maior de mastigação.
A escolha não deve ser feita apenas pela aparência.
A intensidade da procura oral da criança é um dos fatores a considerar.
Como escolher um mordedor?
Não existe um mordedor "ideal" para todas as crianças.
Ao escolher, considere:
1. A intensidade da mastigação
Uma criança que apenas coloca ocasionalmente um objeto na boca terá necessidades diferentes de uma criança que morde regularmente objetos com muita força. O produto deve ser adequado à capacidade de mastigação da criança e às indicações do fabricante.
2. A textura
Algumas crianças procuram superfícies lisas; outras parecem preferir texturas ou relevos. A textura pode alterar significativamente a experiência sensorial.
3. O formato
O formato deve permitir que a criança segure o mordedor de forma autónoma e o utilize de maneira adequada. Para algumas crianças, um formato tipo "P" pode ser mais fácil de segurar; para outras, um formato semelhante a um brinquedo ou colar pode facilitar a utilização.
4. A resistência
Os mordedores existem frequentemente em diferentes níveis de resistência.
Uma criança que exerce muita força ao mastigar pode necessitar de um produto mais resistente, enquanto uma criança com uma procura oral mais ligeira poderá preferir uma opção mais macia.
Se existir dificuldade significativa na mastigação, alterações orais ou outras preocupações relacionadas com alimentação, a escolha deve ser discutida com um profissional de saúde adequado.
Mordedores para a escola: podem ajudar?
Em algumas situações, sim. Uma criança pode procurar mastigar mais quando precisa de:
- permanecer sentada durante muito tempo;
- prestar atenção;
- realizar uma tarefa difícil;
- lidar com muito ruído;
- esperar pela sua vez;
- transitar entre atividades.
Nestes casos, um mordedor pode funcionar como uma ferramenta de suporte, desde que seja apropriado para aquela criança e não interfira com a participação na atividade.
Por exemplo, uma criança que mastiga constantemente o lápis durante uma tarefa pode conseguir utilizar um mordedor durante determinados momentos e manter o lápis exclusivamente para escrever.
O objetivo não é que a criança esteja permanentemente a mastigar.
O objetivo é encontrar uma estratégia que facilite a participação.
E se a criança não procurar mastigar?
Não há necessidade de introduzir um mordedor.
As estratégias sensoriais devem responder às necessidades da criança — e não criar necessidades que não existem.
Na Terapia Ocupacional, a intervenção deve estar relacionada com a participação da criança nas suas ocupações e com objetivos relevantes para ela e para a família.
Por isso, não devemos pensar:
"Todas as crianças precisam de estimulação oral."
Devemos perguntar:
"Esta criança procura estimulação oral? Em que situações? E de que forma esta necessidade está a interferir na sua participação?"
E quando a criança mastiga objetos constantemente?
Se a criança procura mastigar praticamente tudo, é importante observar o comportamento com atenção. Pergunte:
- Acontece apenas em determinados momentos?
- Acontece quando está ansiosa?
- Acontece durante tarefas que exigem concentração?
- Mastiga objetos quando está cansada?
- Procura constantemente estímulos na boca?
- Existem outros comportamentos de procura sensorial?
- Está a engolir objetos que não são alimentos?
Quando a procura oral é muito frequente ou interfere significativamente na alimentação, aprendizagem, sono, brincadeira ou participação social, pode ser importante procurar uma avaliação especializada.
Segurança: como escolher um mordedor?
Quando um produto é utilizado para mastigar, a segurança deve ser sempre uma prioridade. É importante escolher uma ferramenta especificamente desenvolvida para estimulação oral, adequada à idade e à intensidade de mastigação da criança.
A ARK Therapeutic, marca especializada em ferramentas de mastigação e estimulação oral, disponibiliza diferentes formatos e níveis de resistência, permitindo adaptar a ferramenta às necessidades de cada criança.
Ao escolher um mordedor, tenha em atenção:
- material adequado para utilização oral;
- resistência adequada à intensidade da mastigação;
- tamanho e formato apropriados;
- ausência de peças pequenas que se possam desprender;
- estado de conservação do produto.
A ARK recomenda ainda a supervisão durante a utilização e a inspeção regular do mordedor, devendo este ser substituído quando apresenta sinais de desgaste.
Na SerCri, selecionamos ferramentas de estimulação oral da ARK Therapeutic, precisamente por serem produtos desenvolvidos especificamente para responder às necessidades de mastigação e estimulação oral. Porque quando falamos de produtos que vão para a boca, segurança e adequação vêm sempre primeiro.
Mordedores, autorregulação e Terapia Ocupacional
A autorregulação não depende de uma única ferramenta.
Uma criança pode beneficiar de movimento, atividades táteis ou de força, oportunidades de pausa, redução de estímulos ambientais, estratégias visuais ou diferentes formas de estimulação sensorial.
O papel do terapeuta ocupacional é compreender o perfil individual da criança e o impacto que este tem na participação.
Assim, um mordedor pode ser uma peça de um conjunto de estratégias — mas não deve ser apresentado como uma solução universal.